re-impressão

Standard

ou Minha Rosa

– Por falar nisso, digo agora entre aspas que amo loucamente; aquele vago que agora preenche; sem pressa e distanciada, eu amo loucamente, você entende? Traduz? – regurgitou num soluço. E eu pensei, interrompida e discreta: – “Quisera ser eu”. E ela continuou, como se desse vírgula a um devaneio qualquer, enquanto eu apenas pensava “quisera ser eu”…

– Não quero ater-me no que me ocorre por ter tanta lástima a contar-lhe. Demoraria demais e não temos tempo, pois o trem já aponta lá adiante. Tenho tantas malas e uma mochila enorme nas costas, preciso descarregar-me com urgência. O café que Dona Santa prepara na pensão me provocou uma úlcera, nem te conto, mas tenho saudade, posso até sentir o cheiro ácido. A estrada é tão linda, combina com “As Meninas” que leio sem ar, palpito intensidades com suas miríades e minúcias. Ando tão vaga que já me esqueci que estava te dizendo, o que era mesmo? – perguntou num tom de resmungo, perdida no meio de tantas malas e assuntos. Eu, impregnada pela partida, respondi: – “Tu falavas…”. Nem me notou e como se fosse tragada por uma onda entrou no trem, sem olhar para trás.

-“Tu falavas de amor!” – resumi por dentro.

E o trem partiu sem demora, deixando o rastro de história e fervura de uma Rosa, que revolveu um coração tal o cheiro do café ácido de Dona Santa, qual imaginei. Algo restou aqui em meus sentidos e em minha pele uma tatuagem que disse “quisera ser eu” me levará adiante como um breve beijo que não recebi e que vagará por meus desejos.

Sem combinar muito com a saudade, atropelada pela impressão que tal flor me deixou, eu gritei: – Adeus, adeus minha Rosa!” – e num tom de murmúrio soltei um “Eu te amo!” e sorri timidamente de susto ao descobrir o meu segredo.

.

Lua

Advertisements

into the wild

Quote

“Os únicos presentes do mar são golpes duros…
e às vezes a chance de sentir-se forte.
Eu não sei muito sobre o mar,
mas sei que as coisas são assim por aqui.

E também sei como é importante na vida não necessariamente ser forte,
mas sentir-se forte,
confrontar-se ao menos uma vez,
achar-se ao menos uma vez na mais antiga condição humana.
Enfrentar a pedra surda e cega a sós,
sem ajuda além das próprias mãos e da cabeça.”

do filme ‘Na Natureza Selvagem’.