burn

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“I want to burn, even if I break myself. I live only for ecstasy. Nothing else effects me. Small doses, moderate loves – all these leave me cold. I like extravagance, heat… sexuality which bursts the thermometer! I am neurotic, perverted, destructive, fiery, dangerous – lava, inflammable, unrestrained.
I feel like a jungle animal who is escaping captivity.”
Anais Nin

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os famas

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“Quando os famas saem em viagem, seus costumes ao pernoitarem numa cidade são os seguintes: um fama vai ao hotel e indaga cautelosamente os preços, a qualidade dos lençóis e a cor dos tapetes. O segundo se dirige à delegacia e lavra uma ata declarando os móveis e imóveis dos três, assim como o inventário do conteúdo de suas malas. O terceiro fama vai ao hospital e copia as listas dos médicos de plantão e suas especializações.
Terminadas estas providências, os viajantes se reúnem na praça principal da cidade, comunicam suas observações e entram no café para beber um aperitivo. Mas antes eles se seguram pelas mãos e dançam em roda. Esta dança recebe o nome de Alegria dos famas.
Quando os cronópios saem em viagem, encontram os hotéis cheios, os trens já partiram, chove a cântaros e os táxis não querem levá-los ou lhes cobram preços altíssimos. Os cronópios não desanimam porque acreditam piamente que essas coisas acontecem a todo mundo, e na hora de dormir dizem uns aos outros: “Que bela cidade, que belíssima cidade”. E sonham a noite toda que na cidade há grandes festas e que eles foram convidados. E no dia seguinte levantam contentíssimos, e é assim que os cronópios viajam.
As esperanças, sedentárias, deixam-se viajar pelas coisas e pelos homens e são como as estátuas que é preciso ir ver porque elas não vêm até nós.”
Viagens – Julio Cortázar

meus pés

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Tenho observado meus pés, nestes dias horizontais, que seguirão até que o primeiro broto da nova vida aponte na alma. Cercando a pele, refazendo-se da cicatriz, do corte profundo onde algo informe resolveu nascer, crescer e me transformar no que eu não era, eu não era. Num breve estalar, na doma do tempo, estarei de volta. O broto eu sou, as folhas me são, tenho fé, tudo cura, tudo é novo, sou bela esperança. A cada dia deitada nessa cama, eu renasço. E meus pés. Eles me seguem.